[SEPLA-Lista-Oficial3033] Dossiê 100 anos de Darcy Ribeiro. Chamada de Trabalhos Reoriente: estudos sobre marxismo, dependência e sistemas-mundo Vol 2, Nº 1

Dossiê 100 anos de Darcy Ribeiro: Nuestra America e a Civilização no Século XXI
Prazo de envio: 31 de maio de 2022

Tópicos:
Qual o papel do Brasil, da América Latina e dos trópicos na construção de uma nova civilização da humanidade no presente século?
Quais os caminhos e desafios da Integração latino-americana no tempo presente?
Quais os percursos e desafios dos processos de emancipação dos povos de Nuestra América?
Como enfrentar o imperialismo e as estruturas internas de dominação da América Latina em nossa época?
Qual o panorama da questão indígena no presente século?
Quais os caminhos de um desenvolvimento autônomo, sustentado e socialista no Brasil?
Prazo para envio: 31 de maio de 2022
Previsão de publicação: setembro/2022

O processo civilizatório até aqui não solucionou os dramas da humanidade. Seguimos afligidos pelos horrores do modo de produção capitalista, hoje ainda mais do que ontem, pela degradação ambiental e sua ameaça de extinção da vida humana e demais seres vivos na Terra. O legado da civilização industrial e de sua ordem privatista obsoleta nem libertou o ser humano do mundo do trabalho, nem erigiu o paraíso terrestre, salvo para um punhado de parasitas. Tanto pior para as sociedades do mundo periférico e dependente, cujas carências ainda são múltiplas, de soberania frente a potências imperialistas, autonomia para bem decidir o que fazer com suas fontes de riquezas naturais, de participação ativa de seus povos na vida política de suas nações, de libertação do trabalho escravizante e alienado etc. O desafio latino-ameri cano, bem como o de outros continentes do velho Terceiro Mundo, ainda é o de superar o atraso civilizacional a que foram submetidos ao longo dos séculos. Erigir um porvir livre das desgraças acima enunciadas, erradicar de vez a miséria, pobreza, desigualdades e injustiças, erguer o reino da liberdade, paz, alegria e fartura para os povos e demais seres vivos.
Dói na alma saber que os problemas do Brasil tantas e tantas vezes denunciados por Darcy Ribeiro persistem e resistem ao tempo, saber que ainda somos “um moinho de gastar gentes”, um “proletariado do mercado externo” prontos a “servir aos reclamos alheios”; que nossa gente, uma vez mais, “se não morre de fome, vive com fome”, fruto de uma política deliberadamente genocida. Sabemos os reais motivos de tantas mazelas, pois aprendemos com nossos mestres antepassados e com nossa própria vivência a identificar nas classes dominantes nossos algozes, a quem produz e reproduz uma desigualdade cruel e nos ata ao cativeiro e a pobreza. Esta elite retrógrada é a grande responsável por nosso atraso civilizacional.
A obra de Darcy Ribeiro destaca-se como uma das mais importantes do pensamento crítico latino-americano. Entre os temas a que mais se dedicou está o estudo das civilizações e dos processos civilizatórios, a originalidade da América Latina enquanto parte da construção de um projeto de civilização mundial, bem como as principais características de suas estruturas internas e a singularidade do Brasil como Estado e formação social particular. Tais temáticas são desenvolvidas pelo autor, principalmente, em seus estudos de antropologia da civilização, tais como: O Processo civilizatório (1968), As Américas e a civilização (1970), Os Índios e a civilização (1970), Os Brasileiros – Teorias do Brasil (1972), Configurações histórico-culturais dos Povos Americanos (1975), O Dilema da América Lati na (1978) e O Povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil (1995).
Darcy dedicou-se a entender a América Latina como uma formação social original inscrita no estabelecimento de civilizações mundiais, impulsionadas pela expansão da economia mundial capitalista que assumiu as formas de colonialismo mercantil e escravista, de imperialismo e neocolonialismo, e de revolução industrial, abrindo o espaço para as disputas sociais, políticas, ideológicas e econômicas com as formações socialistas emergentes, como formas de contrapoder. Estas civilizações mundiais impostas, dirigidas e hegemonizadas pela expansão europeia levaram a criação de três grandes padrões de formação social na América Latina: os povos testemunho, que articulam de forma conflitiva e contraditória os seus processos civilizatórios pré-capitalistas à modernidade europeia e anglo-saxã e suas e struturas de dominação; os povos novos, onde se inscrevem os brasileiros, os antilhanos e os grã-colombianos, marcados pelo imenso deslocamento de populações africanas para assentar a exploração colonial sobre o trabalho escravo, seu encontro com a burguesia criolla, com a imigração europeia, associada à transição ao assalariamento, e com os povos originários; e os povos transplantados onde o processo de dominação colonial e pós-colonial vinculou os processos de exploração à forte imigração europeia, estabelecendo drástica colisão com os povos originários.
O autor menciona ainda que os processos civilizatórios tendem a dar um salto tecnológico com o desenvolvimento da ciência na segunda metade do século XX, colocando no horizonte do futuro a criação de uma civilização da humanidade baseada em sociedades lastreadas em um socialismo de novo tipo. Darcy situava então, de forma pioneira, as revoluções termonuclear e eletrônica como precursoras de uma nova base tecnológica que impulsionaria processos de aceleração e atualização históricos. Tais processos de aceleração não atuariam de forma unívoca. A apropriação da nova base tecnológica pelas classes dominantes da civilização mundial capitalista geraria forças regressivas e destrutivas que poderiam colocar em risco a sobrevivência da humanidade. A transição para uma sociedade mund ial socialista dependeria das lutas sociais e políticas no interior dos Estados e no espaço internacional.
Para Darcy Ribeiro, na construção de um socialismo de um novo tipo no século XXI, a América Latina teria uma contribuição chave, destacando-se nela o papel do Brasil. Diferentemente de outros povos latino-americanos como os povos testemunho, cindidos no confronto entre duas altas civilizações, ou dos povos transplantados, onde a invasão europeia esmagou os povos originários, os brasileiros e os povos novos são povos em fazimento, impedidos de sê-lo. Povos onde a mestiçagem foi um ato histórico fundamental para a constituição de uma nova classe trabalhadora que, entretanto, encontra-se impedida pelas classes dominantes de exercer sua liberdade e dirigir o seu destino. O autor considera, assim, o Brasil, potencialmente, uma nova Roma, com dimensão tropical, e capacidade de impulsionar o sonho bolivariano de uma América Latina, unida em sua diversidade contra o im perialismo anglo-saxão, para realizar sua vocação de constituir-se em um dos centros da civilização da humanidade. Tal Brasil só poderá emergir, entretanto das lutas sociais e políticas e da construção de um novo socialismo.
A partir desta contribuição central de Darcy Ribeiro sobre as relações entre civilização, América Latina, imperialismo e emancipação, de um lado, e da transição histórica que vivemos, de outro, onde a sobrevivência da humanidade depende cada vez mais da construção de uma civilização ecológica, democrática e plural, voltada para as grandes necessidades públicas de saúde, educação, cultura e lazer, para erradicação das grandes desigualdades, do imperialismo e da guerra, e para afirmação da diversidade e da diferença como medida de riqueza, chamamos os interessados/interessadas a enviarem suas contribuições.

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Coordenação do Dossiê:




Prof. Dr. Jales Dantas da Costa (UNB)



Prof. Dra. Joana das Flores Duarte (UNIFESP)



Prof. Dr. Marcos Pedlowski (UENF)



Organização




Revista Reoriente



Submissões e mais informações no site da revista:



https://revistas.ufrj.br/index.php/reoriente/about/submissions#onlineSubmissions








Dossier 100 años de Darcy Ribeiro: Nuestra América y la civilización en el siglo XXI







El proceso civilizador no ha resuelto hasta ahora los dramas de la humanidad. Seguimos sufriendo los horrores del modo de producción capitalista, hoy incluso más que ayer, por la degradación del medio ambiente y su amenaza de extinción de la vida humana y de los demás seres vivos de la Tierra. El legado de la civilización industrial y su obsoleto orden privatista no liberó al ser humano del mundo del trabajo, ni erigió el paraíso terrenal, salvo para un puñado de parásitos. Tanto peor para las sociedades del mundo periférico y dependiente, cuyas necesidades siguen siendo múltiples, de soberanía frente a las potencias imperialistas, de autonomía para decidir qué hacer con sus fuentes de riqueza natural, de participación activa de sus pueblos en la vida política de sus naciones, de liberación del trabajo alienado y esclavizante, etc. El reto de Am&e acute;rica Latina, al igual que el de otros continentes del antiguo Tercer Mundo, sigue siendo superar el atraso civilizatorio al que han estado sometidos a lo largo de los siglos. Construir un futuro libre de las desgracias mencionadas, erradicar de una vez por todas la miseria, la pobreza, las desigualdades y las injusticias, erigir el reino de la libertad, la paz, la alegría y la abundancia para los pueblos y los demás seres vivos.



Duele el alma saber que los problemas de Brasil denunciados tantas veces por Darcy Ribeiro persisten y resisten al tiempo, saber que seguimos siendo “un molino para desperdiciar gente”, un “proletariado del mercado externo” dispuesto a “servir a las demandas de otros”; que nuestro pueblo, una vez más, “si no se muere de hambre, vive en el hambre”, resultado de una política deliberadamente genocida. Conocemos las verdaderas razones de tantos males, porque hemos aprendido de nuestros antepasados y de nuestra propia experiencia a identificar en las clases dominantes a nuestros verdugos, que producen y reproducen la cruel desigualdad y nos atan al cautiverio y la pobreza. Esta élite retrógrada es en gran parte responsable de nuestro atraso civilizatorio.



La obra de Darcy Ribeiro destaca como una de las más importantes del pensamiento crítico latinoamericano. Entre los temas a los que más se dedicó está el estudio de las civilizaciones y los procesos civilizadores, la originalidad de América Latina como parte de la construcción de un proyecto de civilización mundial, así como las principales características de sus estructuras internas y la singularidad de Brasil como estado y formación social particular. Tales temas son desarrollados por el autor principalmente en sus estudios sobre la antropología de la civilización, como: El proceso civilizador (1968), Las Américas y la civilización (1970), Los indios y la civilización (1970), Los brasileños - Teorías de Brasil (1972), Configuraciones histórico-culturales de los pueblos americanos (1975), El dilema latinoamericano (1978) y El pueblo brasile&ntild e;o: formación y significado de Brasil (1995).



Darcy se dedicó a entender a América Latina como una formación social original inscrita en el establecimiento de las civilizaciones mundiales, impulsada por la expansión de la economía mundial capitalista que asumió las formas del colonialismo mercantil y esclavista, del imperialismo y del neocolonialismo, y de la revolución industrial, abriendo el espacio para las disputas sociales, políticas, ideológicas y económicas con las formaciones socialistas emergentes, como formas de poder compensatorio. Estas civilizaciones mundiales impuestas, dirigidas y hegemonizadas por la expansión europea condujeron a la creación de tres grandes patrones de formación social en América Latina: los pueblos testimoniales, que articulan de manera conflictiva y contradictoria sus procesos civilizatorios precapitalistas a la modernidad europea y anglosajona y sus estructuras de dominación; los pue blos nuevos, donde se inscriben los brasileños, los antillanos y los grancolombianos, marcados por el inmenso desplazamiento de las poblaciones africanas para establecer la explotación colonial sobre el trabajo esclavo, su encuentro con la burguesía criolla, con la inmigración europea asociada a la transición al trabajo asalariado, y con los pueblos originarios; y los pueblos transplantados, donde el proceso de dominación colonial y postcolonial vinculó los procesos de explotación a la fuerte inmigración europea, estableciendo una drástica colisión con los pueblos originarios.



El autor también menciona que los procesos civilizatorios tienden a dar un salto tecnológico con el desarrollo de la ciencia en la segunda mitad del siglo XX, situando en el horizonte del futuro la creación de una civilización de la humanidad, basada en sociedades fundadas en un nuevo tipo de socialismo. Darcy situó entonces, de forma pionera, las revoluciones termonuclear y electrónica como precursoras de una nueva base tecnológica que impulsaría procesos de aceleración y actualización histórica. Estos procesos de aceleración no actuarían de forma unívoca. La apropiación de la nueva base tecnológica por parte de las clases dominantes de la civilización mundial capitalista generaría fuerzas regresivas y destructivas que podrían poner en riesgo la supervivencia de la humanidad. La transición hacia una sociedad mundial socialista depend erá de las luchas sociales y políticas dentro de los Estados y en el espacio internacional.



Para Darcy Ribeiro, en la construcción de un socialismo de nuevo tipo en el siglo XXI, América Latina tendría una contribución clave, en la que destacaría el papel de Brasil. A diferencia de otros pueblos latinoamericanos, como los pueblos testimoniales, divididos en el enfrentamiento entre dos altas civilizaciones, o los pueblos trasplantados, donde la invasión europea aplastó a los pueblos originarios, el brasileño y los nuevos pueblos son pueblos en formación, impedidos de serlo. Pueblos donde el mestizaje fue un acto histórico fundamental para la constitución de una nueva clase trabajadora que, sin embargo, es impedida por las clases dominantes de ejercer su libertad y dirigir su destino. El autor considera, por lo tanto, que Brasil es potencialmente una nueva Roma, de dimensión tropical, con capacidad para impulsar el sueño bolivariano de una América Latina unida en su diversi dad frente al imperialismo anglosajón, para realizar su vocación de convertirse en uno de los centros de la civilización de la humanidad. Sin embargo, ese Brasil sólo puede surgir de las luchas sociales y políticas y de la construcción de un nuevo socialismo.



A partir de esta contribución central de Darcy Ribeiro sobre las relaciones entre civilización, América Latina, imperialismo y emancipación, por un lado, y la transición histórica que estamos viviendo, por otro, donde la supervivencia de la humanidad depende cada vez más de la construcción de una civilización ecológica, democrática y plural, centrada en las grandes necesidades públicas de salud, educación, cultura y ocio, para la erradicación de las grandes desigualdades, del imperialismo y de la guerra, y para la afirmación de la diversidad y la diferencia como medida de riqueza, llamamos a los interesados a enviar sus contribuciones sobre los siguientes temas:



¿Cuál es el papel de Brasil, América Latina y los trópicos en la construcción de una nueva civilización de la humanidad en el presente siglo?



¿Cuáles son los caminos y desafíos de la integración latinoamericana en la actualidad?



¿Cuáles son los caminos y desafíos de los procesos de emancipación de los pueblos de Nuestra América?



¿Cómo enfrentar el imperialismo y las estructuras internas de dominación de América Latina en nuestro tiempo?



¿Cuál es el panorama de la cuestión indígena en el presente siglo?



¿Cuáles son los caminos de un desarrollo autónomo, sostenido y socialmente responsable en América Latina?



Plazo:



Presentación de documentos: 31/05/2022







Publicación prevista: septiembre/2022







Organización:



Prof. Dr. Jales Dantas da Costa (UNB)







Prof. Dr. Joana das Flores Duarte (UNIFESP)







Prof. Dr. Marcos Pedlowski (UENF)


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